05 jul 2016

A segurança e a qualidade dos projetos estão intimamente ligadas com o planejamento e da execução do serviço contratado. Diante disso, a procura por profissionais que realizam tais serviços é muito grande e está crescendo cada vez mais. A grande questão é: todos os profissionais que oferecem esses serviços são realmente capacitados?

Primeiramente é necessário entender a importância de se realizar projetos com profissionais capacitados que desenvolvam o planejamento de forma eficaz e que garanta a segurança e a confiabilidade do projeto.

A instalação elétrica é sem dúvidas um fator primordial de qualquer projeto civil, seja residencial, comercial ou industrial. Uma instalação elétrica mal feita pode ser responsável pela avaria de equipamentos elétrico-eletrônicos que conectem nesta rede posteriormente, ou até mesmo ser a causa de um incêndio. O risco aumenta exponencialmente quando a rede elétrica é instalada sem planejamento e por pessoas não habilitadas e com materiais aquém da qualidade necessária para a realização de tal instalação.

O mal dimensionamento de um circuito elétrico é um dos principais responsáveis pelos incêndios residenciais atrelados a instalação elétrica, pois quando um fio está sobrecarregado em sua capacidade, acaba se esquentando à ponto de derreter sua recapagem e podendo iniciar-se assim, através de um curto, um incêndio.

Além de tudo isso uma má instalação elétrica acarretam uma conta de luz ainda mais cara. Um estudo feito na Universidade de São Paulo pelo engenheiro eletricista Ricardo Santos D’Ávila comprova que uma instalação malfeita gera perda de energia equivalente entre 1,5% a 2,5%, essa é a quantidade de energia que não é transformada em trabalho útil, ou seja, é perdida na forma de calor, quando os condutores aquecem. Para uma residência normal que gasta 202 KWh por mês, ou seja, 75 reais, no ano teria um prejuízo de 9 reais. O fator antiguidade também conta bastante, instalações antigas, mesmo que tenham sido feitas por um profissional qualificado, se degradam e necessitam de uma revisão de tempos em tempos. E quando for feita a revisão, a mesma deve ser feita por profissionais qualificados, pois existe grande risco de choques sérios que podem levar o indivíduo a morte, assim prejudicando ainda mais ambos os lados, tanto do suposto profissional que foi fazer a revisão quanto de quem contratou o mesmo.

Um exemplo de consequências severas da falta de projeto e manutenção das instalações elétricas é o caso do Edifício Joelma, em São Paulo, quando em 1974, devido á um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado do 12º andar, o edifício foi inteiramente consumido por chamas, deixando 191 mortos e mais de 300 feridos. Em um laudo posterior sobre as circunstâncias do incêndio, foi apontado que o sistema elétrico do edifício Joelma era precário e estava sobrecarregado na data do acidente, sendo a prestadora de serviços de manutenção elétrica responsabilizada judicialmente pelo acidente.

Como detectar os problemas de instalação elétrica?

Existem uma serie de “pistas” que podem ser percebidas para detectar uma instalação mal feita ou com necessidade de reparo, tais como choques no chuveiro ou torneira elétrica, disjuntores desarmando constantemente, oscilações na luz, entre outros. Isso significa que ou instalação está mal dimensionada ou está muito antiga, com desgastes, ou foi malfeita no seu geral. Caso a residência/condomínio tenha mais de dez anos e nunca passou por uma reforma ou revisão no sistema elétrico, com certeza está precisando urgente, revisões devem ser feitas periodicamente de 5 em 5 anos. No caso de fios aquecendo, mostra-se que está havendo uma sobrecarga no sistema. Fio terra deve ser instalado em todas as tomadas, por esse motivo as novas tomadas possuem 3 polos (buracos). Caixas abertas devem ser substituídas o quanto antes.

E o para-raios?

Independente da região do brasil ou do mundo que você mora, com certeza existem descargas atmosféricas (raios), essas podem trazer danos tanto aos equipamentos quanto a vida. Muitas vezes esses problemas acontecem em estruturas em que se pensa estar protegida, ai que mora o perigo. Devido a má instalação ou degradação do equipamento, a segurança dos envolvidos é posta em risco e sem mesmo que saibam. Desastres assim acontecem muito em transformadores de postes quando são danificados por descargas elétricas.

A instalação deve ser feita seguindo as normas técnicas da ABNT, cujo projeto deve ser aprovado pelo corpo de bombeiros. Além de tudo isso, a verificação e, se necessário, manutenção deve ser feita anualmente, sujeito a multa caso não feita. Um bom exemplo é a medição do aterramento do SPDA (para-raios), que no caso de não apresentar o nível adequado, o mesmo não funciona.

Segundo o especialista em eletrotécnica Valdivino Carlos Fernandes, com 25 anos de experiência na área, é melhor não ter o SPDA se ele não estiver instalado da maneira correta ou sem manutenção periódica a ter o mesmo mal instalado aquém do que deveria ser. No caso, segundo o especialista, ele mal instalado pode expor a construção e equipamentos eletrônicos ao invés de protege-los. O especialista ainda afirma que SPDA é a melhor proteção e prevenção contra danos causados por descargas atmosféricas. Também, é necessário estar atento a troca do SPDA que tem sua tecnologia ultrapassada, além de se deteriorar com o tempo. SPDA é o tipo de equipamento de suma importância e não deve haver negligencia, além dos danos a equipamento eletrônicos e eletrodomésticos, existe o fator vidas que está em jogo também como falado anteriormente, por isso é muito importante que tudo seja realizado por um profissional capacitado.

Toda instalação elétrica e manutenção deve ser feita por profissionais capacitados, sendo engenheiros e técnicos na área. Os mesmos profissionais devem seguir as normas técnicas da ABNT que apresenta os requisitos mínimos de segurança. Instalações elétricas possuem certas limitações de uso, tanto pelo tempo de utilização, pois os componentes podem se degradar naturalmente, quanto pelo fato de que com o passar dos anos, os moradores virem agregando mais e mais equipamentos elétricos assim exigindo ainda mais da rede, como por exemplo, aparelhos de ar-condicionado.