25 abr 2017

Ainda que a natureza seja imprevisível, é possível que as pessoas se previnam de suas ações. Embora os raios sejam comuns na rotina da maior parte da população brasileira, se comparado a tornados, terremotos e tantos outros, as tragédias ocasionadas pelo fenômeno podem surpreender.

 

Barcos, casas, prédios, torres de televisão, rádio, telefonia e energia elétrica podem e devem possuir o SPDA (sistema de proteção contra descargas atmosféricas) pensando em evitar prejuízos materiais, mas principalmente, riscos para pessoas.

 

Anualmente, quase mil pessoas são atingidas por raios, em sua maioria indiretamente. Quem fica em um ambiente sem para-raios, e que este não possui laudo SPDA certificando a sua conformidade , em meio a uma tempestade está sujeito a sofrer efeitos destas descargas atmosféricas, que não tem lugar certo para atingir.

 

Veja o infográfico abaixo, produzido pelo ELAT(Grupo de Eletricidade Atmosférica), o qual traz dados relevantes sobre a incidência de raios no Brasil.

 

 

Há quem acredite que os para-raios atraiam raios, o que é um equívoco, afinal, ele tem a função de conduzir a energia por um lugar seguro, para que não danifique nada nem ninguém. Outro engano diz respeito à proteção aos equipamentos eletroeletrônicos, responsabilidade dos fios terra, não do para-raio.

 

A colocação de para-raios deve seguir as normas técnicas NBR 5419/2015. Nelas estão determinados quais os tipos de para-raios e para onde eles são apropriados. Ela também define o material a ser utilizado na confecção da ferramenta. Proíbe metais ferrosos galvanizados eletroliticamente na instalação do equipamento e indica o uso do cobre, pela facilidade da instalação e eficiência do material.

 

Tipos de para-raio

 

SPDA tipo Gaiola de Faraday

 

“Este método consiste em instalar um sistema de captores formado por condutores horizontais interligados em forma de malha, quanto menor for a distância entre os condutores da malha melhor será a proteção obtida”. (TELECO, 2017).

 

 

Exemplo de implementação do para-raios do tipo Gaiola de Faraday. Fonte: ALVES, 2015

 

A gaiola faraday é utilizada principalmente para se proteger de raios na área lateral e janelas. Ela consiste em cabos horizontais e verticais de cobre, aço ou alumínio. Existe a falsa sensação que raios atingem somente a área superior das residências, o que não é a realidade. Caso não exista para-raios na residência, os moradores que ficam próximos a janelas, durante uma tempestade, correm grande risco.

 

SPDA tipo Franklin

 

Trata-se de “[…] captores pontiagudos colocados em mastros verticais […], quanto maior a altura maior o volume protegido, volume este que tem a forma de um cone formado pelo triangulo retângulo girado em torno do mastro.’’ (TELECO, 2017).

 

Exemplo da abrangência do para-raios do tipo Franklin. Fonte: SABER ELÉTRICA, 2017

 

Observe que na figura acima, “o cone de proteção está protegendo todo volume incluindo todas as partes da edificação, […] deve envolver a estrutura também nas demais vistas, garantindo que toda ela esteja protegida”. (SABER ELÉTRICA, 2017).

 

O correto seria que sua altura fosse próxima ao do prédio que ele protege, o que torna-se inviável em grandes edifícios. Em caso de dúvida sobre o funcionamento dos para-raios recomenda-se que procure um profissional da área. Um engenheiro eletricista ou então a própria C2E podem ajudar na definição de que tipo de equipamento utilizar e quais locais de instalação.

 

 

O fenômeno raio

 

O raio parece comum pela familiaridade que possui, mas ele oferece perigo à segurança. Sua corrente mínima é de 2 mil amperes, podendo alcançar até 100 mil A, não é à toa que o chamam de curto-circuito da natureza. Energia o suficiente para trazer prejuízo a qualquer objeto que entre em contato com ela, sem a devida proteção. Tudo acontece em menos de um segundo, tempo necessário para que uma tragédia aconteça. Sendo o Brasil um dos países com maior incidência de raios no mundo, todo cuidado é pouco.

 

As áreas mais afetas são as residências, devido a poluição que contribuem para o aumento do fenômeno. E se sua casa já foi atingida por um raio, não se engane com o ditado que diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Ninguém está imune a passar por esse tipo de situação. A diferença está no tipo de consequência, nesse caso, se proteger com o para-raio com laudo SPDA em dia deixa de ser artigo de luxo e torna-se essencial para segurança de todos.

 

 

Fontes:

http://www.inpe.br/webelat/homepage/

SABER ELÉTRICA. SPDA – Elaborando Um Projeto De Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas, 2017

TELECO. SPDA: Métodos de Proteção, 2017

ALVES, Jean Paulo Mendes. Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5419: Proteção Contra Descargas Atmosféricas, 2015.